O QUE É NARCISISMO PATOLÓGICO?
Grandiosidade. Necessidade de adoração. Falta de empatia. Perversidade.
É o transtorno que mais cresce no mundo.
O transtorno de Personalidade Narcisista, é um transtorno gravíssimo e ainda sem uma cura comprovada. Varia em níveis. Afeta homens e mulheres. Sendo constatado pela ciência, 70% a mais de incidência nos homens. Ainda que mulheres com esse transtorno, possam apresentar um nível bem mais elevado de perversidade e periculosidade.
É importante frisar que todos nós temos algum traço de narcisismo. Uns mais, outros menos. Pessoas normais podem manifestar algum comportamentos narcísico em algum momento da vida. Mas, existem aquelas, que manifestam um comportamento (padrão) contínuo. Que fazem uma sequencia de vítimas. Pessoas as quais, mostram-se extremamente tóxicas, e nocivas, ás pessoas com quem convivem. Podem ser: um narcisista comum. Alguém com muitos traços narcísicos, e um padrão comportamental. E aquele que possui o Transtorno de Personalidade Narcisista (TPN).
TRANSTORNO DE PERSONALIDADE NARCISISTA
(TPN) X NARCISISMO
De acordo com a Dra. Ramani Duvarsula, diagnosticar uma pessoa com transtorno de personalidade narcisista é como, dar um atestado de babaca/embuste/canalha á alguém. A maioria das vezes, não haverá esse diagnóstico.
É possível o diagnóstico de 9 tipos de narcisismo. Além das milhares de combinações que podem existir. Em todos os tipos de narcisismo, ou seja, a pessoa que tem o TPN, e aquela que apresenta traços fortes de narcisismo, terão a mesma tendência á grandiosidade. Normalmente buscam vícios que lhes deem essa sensação. São usuários de álcool, cocaína etc. Tem uma sexualidade exacerbada. São compulsivos sexuais. Tem falta de empatia. Grandiosidade. Arrogância. Superficialidade. Necessidade aguda de validação externa. Tendência a manipulação. A sentir muita raiva. Explorar outras pessoas. Etc.
Muitas vezes são diagnosticados com depressão. Que está bastante conectada com o narcisismo. Pois toda a insegurança e vazio que o narcisista sente, acaba por gerar uma depressão. Especialmente o narcisista oculto. É bastante comum que o narcisista e quem tem o TPN, sejam diagnosticados com transtorno de personalidade bipolar também.
Em todo o caso, os narcisistas (diagnosticados ou não) possuem um Histórico Patológico Pregresso (HPP). E apresentam uma série das características descritas pelo DSM-5. Dando vários indícios do transtorno. Fato é, que identificadas as Red flags (sinais de alarme), a vítima não precisa esperar um diagnóstico, para se afastar imediatamente. O foco do estudo, é compreender como age esse grupo de pessoas, que são extremamente tóxicas e perigosas ás outras.
A PERSONALIDADE DO PONTO DE VISTA MÉDICO
De acordo com a Dra. Psiquiatra Ana Beatriz Barbosa, se faz necessário identificar a essência de uma personalidade primeiro. Se ela é em essência psicopática ou narcisista. Ex: uma personalidade pode ser em essência psicopática, com sintomas de narcisismo. Ou seja, a personalidade central é psicopática com traços narcisistas. Não é possível ter 2 ou mais personalidades de uma vez. Ela ainda ressalta que todo o psicopata é um narcisista. Mas nem todo narcisista, vai apresentar um nível mais alto de perversão como de um psicopata.
O Transtorno de Personalidade Narcisista, ou narcisismo, é classificado pelo DSM-5, (catálogo de Transtornos Mentais) como:
Um padrão difuso de grandiosidade (em fantasia ou comportamento), necessidade de admiração e falta de empatia que surge no início da vida adulta e está presente em vários contextos, conforme indicado por cinco (ou mais) dos seguintes:
1. Tem uma sensação grandiosa da própria importância (p. ex., exagera conquistas e talentos, espera ser reconhecido como superior sem que tenha as conquistas correspondentes).
2. É preocupado com fantasias de sucesso ilimitado, poder, brilho, beleza ou amor ideal.
3. Acredita ser “especial” e único e que pode ser somente compreendido por, ou associado a outras pessoas (ou instituições) especiais ou com condição elevada.
4. Demanda admiração excessiva.
5. Apresenta um sentimento de possuir direitos (i.e., expectativas irracionais de tratamento especialmente favorável ou que estejam automaticamente de acordo com as próprias expectativas).
6. É explorador em relações interpessoais (i.e., tira vantagem de outros para atingir os próprios fins).
7. Carece de empatia: reluta em reconhecer ou identificar-se com os sentimentos e as necessidades dos outros.
8. É frequentemente invejoso em relação aos outros ou acredita que os outros o invejam.
9. Demonstra comportamentos ou atitudes arrogantes e insolentes.
Manual de Transtornos da USP (Universidade de São Paulo) baseado no DSM-4
QUADRO CLÍNICO
1. Parecem não ter humildade
2. Excessivamente auto centrados/exploram os outros para cumprir os próprios desejos
3. Não veem seu comportamento como inadequado ou censurável
4. Se veem como seres superiores e acreditam que tem direitos e privilégios
5. Humor geralmente otimista, relaxado, alegre e despreocupado (mudança rápida pela baixa autoestima)
6. Se não atendem suas auto expectativas, sem feedback positivo ou se criticados, respondem com raiva, vergonha, humilhação e tristeza
7. Comprometimento das relações interpessoais devido a exploração pela auto satisfação
FATORES PREDISPONENTES
- É sugerido que quando crianças tiveram seus medos, falhas ou necessidades de dependência respondidos com críticas, desprezo ou negligência
- Os pais também eram narcisistas
- Pais podem ter submetido a criança a abuso físico ou emocional ou negligência
- Também pode desenvolver em ambientes em que os pais tentam viver suas vidas indiretamente por meio de seus filhos
Todos nós já fomos narcisistas um dia. Na primeira infância, na fase narcísica, descrita pelo Dr. Sigmund Freud. Onde precisávamos de um amor narcísico devotado de nossa mãe, que nos ama, calça e veste, nos alimenta e nos cuida. Dedicando quase 100% do seu tempo a nós. Somos o centro do universo nessa fase. Porém, as pessoas normais evoluem dela. As crianças saem da fase narcísica, aprendem com os pais sobre limites, a respeitar, e que o outro existe. Mas os narcisistas não vivenciam bem essa fase. Portanto, param nela. Carregam essa ferida narcísica da infância. Que pode ter raízes no abandono, ou excesso de proteção dos pais. Que falharam ao impor limites. Seguem adultos infantis, que continuam precisando de um amor devotado, achando que devem ser o centro da atenção e dedicação do outro. Agem de uma maneira essencialmente egoísta ou ego centrada, infantilizada e perversa.
Narcisistas parecem sofrer da Síndrome do Peter Pan. Os eternos meninos que não querem crescer. Uma imaturidade inerente. São primitivos emocionalmente, e não enxergam o outro como alguém dotado de vontades e direitos. Mas sim, como uma extensão sua. Uma projeção dos seus desejos, sonhos e vontades. A outra pessoa existe para satisfaze-lo. Lhe proteger, cuidar, amar, sacrificar-se, adora-lo e também teme-lo. Se acham o centro do universo por direito. Conseguem manipular pessoas que o colocam como o centro de atenção, dedicação e cuidados. São incapazes de amadurecer e tomar a responsabilidade de suas ações. Não lidam com problemas. Fogem, evitam ou descartam. Trabalham com o uso-descarte.
De acordo com a Dra. Psiquiatra Ana Beatriz Barbosa, quando querem, se encantam, ou se apaixonam por alguém, usam como um brinquedo, e quando não querem mais, descartam, jogando num canto. Não para sempre. O brinquedo continua sendo dele, para quando ele tiver vontade de brincar novamente.
Esse tipo de predador emocional tem uma necessidade irresistível que alguém o admire, o endeuse, o idolatre, seja devotado à ele. Dedicando tempo, atenção, e a sua vida, à essa pessoa. Ele precisa dessa validação. Quando a realidade do narcisista não está de acordo com as fantasias que ele tem de si mesmo, podem ter crises de raiva, ódio, vergonha ou humilhação. De acordo com a Drª Psiquiatra e psicoterapeuta Stephanie Levy.
Outra característica marcante é a falta de empatia. Eles podem desdenhar dos problemas dos outros, mais especificamente da vítima escolhida. Usando esses problemas como sinais de vulnerabilidade e fraqueza para atacar. Minar a autoestima, sugar a energia vital, e derrubar a personalidade da vítima. Nutrem-se da destruição mental e emocional dela. Uma forma de reafirmar o seu poder de sedução e controle sobre o outro. Usam os relacionamentos para se promoverem ou afirmarem sua autoestima. Escolhendo as pessoas que validam suas máscaras sociais, ou a sua grandiosidade (seja por devoção, paixão, dedicação ou temor).
O DIAGNÓSTICO DIFÍCIL
Terá que ser feito por um profissional extremamente competente e especializado em narcisismo. Que tenha acesso ao histórico dessa pessoa, que será dado por terceiros. Porque os narcisistas são manipuladores natos, e jamais darão informações deles mesmos que denigram sua imagem, ou que os coloquem à baixo de outras pessoas.
Raríssimamente narcisistas procuram terapia. Pois se envergonham, e vêem isso como sinal de fracasso. Quando isso ocorre, uma grande parte deles questionam a capacidade e qualificação do psicólogo. Numa tentativa de firma sua superioridade. Ou simplesmente mentem e manipulam (como de praxe), escondendo a sua verdadeira face perversa. Sempre usando uma máscara de acordo com a necessidade e conveniência. Por isso, mais raro ainda, são as pessoas diagnosticadas com o Transtorno de Personalidade Narcisista.
Quando procuram terapia e ajuda psicológica, normalmente, alegam depressão ou ansiedade por algum motivo fútil qualquer, mas NUNCA pelos reais motivos. Como pelo pânico de abandono ou rejeição que sentem. Têm depressão com frequência. Demonstram um senso de superioridade, arrogância e autoestima elevada, mas na verdade, são fracos, medrosos e inseguros. Não demonstram e jamais irão agir como se fossem. Não admitem ter transtorno de personalidade, menos ainda irão procurar um psicólogo por isso. Pois não admitem que têm problemas.
Estamos falando de uma pessoa que deixa um rastro de destruição por onde passa. Alguém que faz vítimas por puro prazer, e odeia sem nenhum motivo, aqueles que o amam. O senso de superioridade, a falta de empatia, a necessidade de adoração, controlar, e deixar acorrentado à ele uma vítima, são características marcantes. Todos os seus relacionamentos amorosos são desastrosos e extremamente danosos de um jeito ou de outro.
“Sentem prazer em humilhar, é o transtorno do ódio e da revolta. São descritos como esnobes, desdenhosos, frios, calculistas, sarcásticos e irônicos. Perversos. Tendo um senso de superioridade elevadíssimo. Se preocupam com fantasias de sucesso ilimitado, poder, brilho e amor ideal. Só podem se associar à pessoas que tiverem no mesmo nível. Tem um forte nível de direito exclusivo. Exploram qualquer pessoa para os fins que eles desejam. Os sentimentos e a necessidade dos outros não têm importância. Demonstram frequentemente arrogância. Um padrão duradouro”. Dra. Jane Six – Psicóloga Social.
IDENTIFICANDO RED FLAGS DO NARCISISTA NO DIA DIA
As pessoas precisam aprender a identificar os sinais de alarme, as Red Flags (bandeiras vermelhas) de um Predador Emocional Narcisista. E afastarem-se imediatamente!
Muitas vezes, não é possível identificar uma pessoa narcisista. Simplesmente porque ela esconde o que é. Sempre! Usando suas máscaras sociais. Sabe seduzir. Ser muito gentil, cavalheiro, charmoso, encantador, prestativo, bom amigo, generoso, sabe ser o melhor amigo, o namorado dos sonhos. Sabe oferecer um bom sexo, ou se esforça para isso. Sabe proporcionar coisas e experiência extraordinárias. Sabe ser exatamente a pessoa que todos desejam, e sonham em ter do lado. Ele se adequa e se camufla. Logo, passa a ser admirado, amado, adorado, idealizado e inesquecível. Está então, desenhada, a sua imagem pública.
NARCISISTAS NÃO SÃO IDENTIFICADOS PELO QUE SÃO. MAS PELO SEU MODUS OPERANDI.
Mas esta pessoa sempre diz um pouco do que é à vítima escolhida. Muitas vezes desde o início (no bombardeamento de amor). Ou durante a relação, dá dicas de quem é, se vangloriando de um lado seu sombrio. Ou dando pinceladas da sua verdadeira intenção, por trás de palavras gentis por exemplo, tem sempre um cinismo. Um sarcasmo. Usados no seu terrorismo mental. Para incutir na vítima medo e insegurança. A vítima percebe sutilmente a insinceridade. Uma maldade. Essa intenção obscura, e o jogo macabro que vai se estabelecendo com a vítima é escondido da sociedade. O abuso é sorrateiro e silencioso. Os únicos que entendem são o abusador e a vítima. O que torna ainda, mais difícil de provar. Mas, seu modus operandi, ou forma de execução, (seus jogos, táticas de manipulação, stalking etc) o denúncia.
Em suma, ele idealiza a vítima, jogando sobre ela a responsabilidade de lhe fazer feliz. Inicialmente oferece um conto de fadas, para que a vítima se sinta a pessoa mais sortuda do mundo, e aceite o peso de ter que manter essa relação, e sobretudo, mante-lo feliz. Assim, ele vai tomando conta da vida dela. Preenchendo todos os seus espaços, o seu tempo e toda a sua energia.
Com o tempo, ele isola a vítima da família, dos amigos, da sua vida social. Pois é mais fácil manipulá-la e sugá-la sem testemunhas. Quando decidir descartá-la, fará campanha de difamação. Pintando um cenário onde a vítima sairá como insana, a abusiva, a mentirosa. O conto de fadas vira um pesadelo, cuja a vítima é a vilã. E irá manipular pessoas, incluindo familiares e amigos dela, para levar notícias suas. Manipulando essas pessoas para que façam o seu trabalho sujo. Fazer o famoso "leva e trás". Tudo isso para atormentá-la, e mante-la presa no jogo de intrigas e mentiras dele.
O modus Operandi, as táticas manipulativas, as máscaras, os jogos, são muitos. Um assunto realmente complexo, e com diversas camadas. Adentrar o universo de um abusador narcisista, é mergulhar num abismo profundo, obscuro, e disfuncional. Assustador e insano demais, para pessoas normais poderem compreender naturalmente, ou sem que haja um mergulho mais aprofundado no tema.
É muito difícil para pessoas comuns, entenderem que estão lidando com um predador emocional, realmente nocivo. Porém muito sutil na sua manipulação. A maioria nem se quer sonha, que está submetida a um nível de manipulação e perversidade altíssimos. Que caíram, sem consciência, num jogo macabro. Jogo o qual não conhecem nenhuma regra.

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