Série Poética: UM TOM DE SOLIDÃO



Lá fora existe uma multidão imensa...
Uma solidão imensa. 
Abraços sem calor, e amigos de momentos, 
inflexíveis em suas vontades.
Embriagados do seu ego. 
Ilhados em si mesmos. 

Lá fora reside um vazio horrível que eu não tenho coragem de confrontar. 
Rodeados de corações que não tocamos, 
Almas que não transpomos
Que não se conectam mais
É quando mergulho no vazio
de uma solidão mental estranha

Para fugir de lá me isolo. 
Para me encontrar em mim. 
Do que sobrou de mim. 
O que de lá não trago. 
Abrigo.
Meu sentido. 
O conforto que perdi.

Fugir da presença das minhas dores já não me apraz. 
Quero ter aqui dentro a compreensão que jurei a outros. 
Mas não dei pra mim. 
E sentir.
Vivenciar o que me habita
E redescobrir as linhas que me fazem una.

Lá fora a solidão é vívida, é gritante, se amplia em cada sorriso falseado,
Encobrindo dor, 
Em cada beijo sem sentimento, 
Em companhias sem presenças
Lá fora fica tudo tão claro. 

Vejo uma multidão de almas solitárias unidas pela desconexão,
Pelo seu vazio incompreendido, pela falta de si mesmo. 
Talvez devessem se isolar. 
Para compreenderem quem são. 
Por um fim. 
A ti, solidão.



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